Há relógios que, quando chegam para teste, despertam curiosidade. Outros acabam por nos surpreender.
O Amazfit Cheetah 2 Pro pertence, para mim, à segunda categoria.
Depois de o usar nos meus treinos, fiquei com uma opinião bastante clara: gostei muito deste relógio. E não digo isto porque a Amazfit me tenha disponibilizado o equipamento para teste. Digo-o porque, depois de o experimentar, é difícil não reconhecer a quantidade de coisas que ele faz bem.
E há uma coisa que quero deixar clara desde já: não considero o Cheetah 2 Pro caro para aquilo que oferece.
449 euros é muito dinheiro. Isso é inegável e, infelizmente, não está ao alcance de todas as carteiras. Mas isso é uma coisa diferente de dizer que o relógio é caro.
Na relação entre aquilo que custa e aquilo que oferece, considero-o uma das propostas mais interessantes que existem atualmente para quem corre.
Um relógio grande – e ainda bem
O Cheetah 2 Pro não é pequeno. E, para mim, isso é uma vantagem.
A caixa de 48 mm e o ecrã AMOLED de 1,32 polegadas dão-lhe uma presença considerável no pulso. Mas permitem também uma leitura muito confortável dos dados.
E isso é particularmente importante para mim.
Com o passar dos anos, a visão já não é a mesma e, durante uma corrida, não quero estar a aproximar o pulso dos olhos para perceber o ritmo ou a distância.
Quanto maior e mais legível for a informação, melhor.
Por isso, aquilo que para alguns corredores poderá ser um relógio demasiado grande, para mim é precisamente uma das suas vantagens. Nem todas as características devem ser avaliadas da mesma forma para todos os utilizadores.
Construção de relógio premium
Outra coisa que gostei desde o primeiro contacto foi a construção.
O titânio da caixa e o vidro de safira dão ao Cheetah 2 Pro uma sensação claramente premium. Não parece um relógio que foi construído para competir apenas pelo preço.
E isso é importante porque a Amazfit já não está a tentar fazer apenas relógios baratos com muitas funcionalidades.
É um relógio que quer competir com modelos de marcas muito mais estabelecidas no mundo da corrida.
E, olhando para o equipamento, percebe-se a intenção.
O ecrã é excelente
O AMOLED é um daqueles componentes que rapidamente nos habituamos a ter.
É brilhante, tem excelente definição e permite consultar os dados da corrida de forma muito fácil.
Durante os treinos, esta facilidade de leitura acaba por ser mais importante do que parece.
Quando estamos a correr não queremos perder tempo a navegar por menus. Queremos olhar para o pulso e perceber rapidamente aquilo que interessa.
Ritmo, distância, frequência cardíaca e restantes métricas estão ali, de forma bastante clara.
E, no meu caso, o tamanho do ecrã acaba por ser uma vantagem adicional.
E quando começamos a correr?
É aqui que um relógio destes tem realmente de mostrar o que vale.
Podemos falar de titânio, safira, AMOLED ou 32 GB de armazenamento, mas um relógio destinado a corredores tem de fazer bem o essencial.
E o essencial é acompanhar a corrida.
O GPS de dupla frequência dá-lhe argumentos muito fortes e, nas utilizações que fiz, o comportamento do posicionamento foi bastante convincente.
Mais importante do que olhar para uma folha de especificações é a sensação que temos durante o treino.
E não fiquei com aquela preocupação constante de estar a olhar para o relógio e a pensar se o ritmo ou a distância apresentados estavam correctos.
GPS e navegação
O Cheetah 2 Pro vai bastante além do simples registo de uma corrida.
Tem GPS de dupla frequência, mapas offline e navegação de percursos.
Para quem gosta de explorar novos caminhos, correr fora da sua zona habitual ou simplesmente seguir um percurso previamente preparado, estas funcionalidades podem fazer uma diferença enorme.
A experiência de navegação não é perfeita e penso que aqui ainda existe margem para a Amazfit melhorar a interface e tornar algumas operações mais intuitivas.
Mas é importante colocar as coisas em perspectiva.
Estamos a falar de um relógio que, por 449 euros, coloca no pulso funcionalidades que há relativamente pouco tempo estavam reservadas a equipamentos bastante mais caros.
Música sem levar o smartphone
Há uma funcionalidade do Cheetah 2 Pro de que gostei particularmente e que, para quem corre, pode fazer bastante diferença: a possibilidade de guardar música no próprio relógio e ouvi-la através de auscultadores Bluetooth, sem precisar de levar o smartphone.
O relógio tem 32 GB de armazenamento interno, o que dá bastante espaço para ter uma boa biblioteca de música disponível durante os treinos.
E isto pode parecer uma coisa menor, mas para mim não é.
Há treinos em que simplesmente não quero levar o telemóvel. Quero sair de casa com o relógio, os auscultadores e pouco mais. Poder ter a música directamente no pulso torna a corrida mais simples e mais agradável.
É também uma daquelas funcionalidades que, depois de nos habituarmos a ela, custa voltar atrás.
Para mim, é uma das grandes vantagens do Cheetah 2 Pro: posso deixar o smartphone em casa e continuar a ter música durante a corrida.
E aqui os 32 GB de armazenamento acabam por fazer sentido, porque não estamos limitados a guardar apenas meia dúzia de músicas.
Autonomia: uma preocupação a menos
Outra das características de que gostei bastante foi a autonomia.
A Amazfit anuncia até 20 dias de utilização típica e até 31 horas de GPS contínuo. Como acontece com qualquer relógio, os valores reais dependem obviamente da utilização.
Mas a autonomia do Cheetah 2 Pro permite-nos passar vários dias sem pensar constantemente no carregador.
Um relógio que precisa de ser carregado frequentemente acaba por criar um pequeno problema: podemos esquecer-nos de o carregar precisamente antes daquele treino ou daquela prova em que queríamos utilizá-lo.
Quanto menos tivermos de pensar na bateria, melhor.
Zepp: talvez o ponto onde ainda pode melhorar
Se tenho de apontar uma área em que acho que a Amazfit ainda pode fazer melhor, é no ecossistema Zepp.
A aplicação é completa e tem uma quantidade enorme de informação. O Zepp Coach, os planos de treino e todas as métricas disponíveis tornam-na bastante interessante.
Mas a sensação que tenho é que o hardware do Cheetah 2 Pro está, em alguns aspectos, mais próximo do topo do mercado do que o software e o ecossistema que o acompanham.
Não significa que a Zepp seja uma má aplicação.
Longe disso.
Mas quem está habituado ao Garmin Connect, por exemplo, poderá sentir algumas diferenças na forma como os dados são apresentados e explorados.
É provavelmente aqui que eu gostaria de ver a Amazfit continuar a investir.
O que mais gostei
Se tivesse de escolher apenas uma coisa, seria difícil.
Gostei do ecrã. Gostei da autonomia. Gostei da construção. Gostei do GPS.
Mas talvez a característica que mais me convenceu seja precisamente a combinação de tudo isto.
O Cheetah 2 Pro não depende de uma única característica para justificar a sua existência.
É um conjunto muito equilibrado.
E quando começamos a somar:
- construção em titânio;
- vidro de safira;
- AMOLED;
- GPS de dupla frequência;
- mapas offline;
- navegação;
- muitas funcionalidades de treino;
- armazenamento interno generoso;
- excelente autonomia;
O que gostei menos
Não encontrei nenhuma característica que me faça dizer “não comprem este relógio”.
Há aspectos que podem ser melhorados, sobretudo na experiência de navegação e no ecossistema Zepp.
E há funcionalidades que provavelmente não serão relevantes para todos os corredores.
Mas isso é diferente de encontrar uma falha grave.
449 euros: é caro?
Não. É muito dinheiro? Sim. É caro? Na minha opinião, não.
São duas coisas completamente diferentes.
Nem toda a gente pode ou quer gastar 449 euros num relógio. E isso é perfeitamente legítimo.
Mas se tivermos esse orçamento disponível e estivermos à procura de um relógio de corrida completo, com construção premium, excelente ecrã, GPS de dupla frequência, mapas, navegação e uma autonomia muito interessante, é difícil olhar para o Cheetah 2 Pro e dizer que estamos a pagar demasiado.
Veredicto final
O Amazfit Cheetah 2 Pro não é perfeito.
A navegação pode melhorar, a Zepp ainda tem caminho para percorrer e há certamente corredores para quem outras marcas continuam a oferecer uma experiência mais completa.
Mas isso não altera a minha conclusão.
Gostei do Cheetah 2 Pro. E gostei mesmo.
É um relógio muito completo, bem construído, com um excelente ecrã, boa autonomia e ferramentas que respondem às necessidades da esmagadora maioria dos corredores.
E, sobretudo, é um relógio que me parece difícil de bater quando colocamos tudo na mesma equação.
Não estou a dizer que é o melhor relógio de corrida que existe.
Estou a dizer algo que considero mais interessante:
por 449 euros, é muito difícil encontrar outro relógio que ofereça tanto.
Para mim, é precisamente isso que faz do Amazfit Cheetah 2 Pro uma das propostas mais interessantes actualmente para quem procura um relógio de corrida de gama alta sem entrar em preços ainda mais elevados.
A minha nota: 8/10.



