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ASICS Fuji Lite 7: Leve, versátil e focada no desempenho

A família Fuji Lite ocupa um lugar algo discreto no catálogo da ASICS, muitas vezes ofuscada por modelos como a Trabuco ou a Fuji Speed. No entanto, continua a ser uma das propostas mais interessantes para quem procura uma sapatilha de trail leve, com boa sensibilidade ao terreno e capaz de responder tanto em treino como em competição.

Utilizei a ASICS Fuji Lite 7 durante mais de 150 quilómetros em diferentes tipos de trilho, desde estradões rápidos a percursos mais técnicos, e esta é a minha opinião.

Especificações

  • Peso: cerca de 240 g (tamanho 42,5 EU)
  • Drop: 4 mm
  • Entressola: FF BLAST+
  • Sola: ASICSGRIP

O que mudou?

À primeira vista, as diferenças relativamente à geração anterior não são profundas, mas existem alguns detalhes que melhoram a experiência de utilização.

O upper foi redesenhado e apresenta agora um tecido mais confortável e flexível, mantendo um bom compromisso entre respirabilidade e suporte. O ajuste continua a ser seguro, sobretudo na zona média do pé, sem transmitir uma sensação de aperto excessivo.

A plataforma mantém uma filosofia semelhante: uma sapatilha leve, com perfil relativamente baixo e orientada para proporcionar estabilidade e contacto com o terreno.

ASICS FujiLite 7

Em corrida

A Fuji Lite 7 não tenta competir com os modelos mais amortecidos do mercado, e isso nota-se desde os primeiros quilómetros.

A sensação é de uma sapatilha relativamente firme, mas previsível. Existe amortecimento suficiente para absorver o impacto durante treinos e provas de média distância, sem perder a leitura do terreno, algo que muitos corredores continuam a valorizar.

Ao longo do teste utilizei-a em percursos bastante variados e foi precisamente aí que mostrou o seu principal argumento: adapta-se facilmente a diferentes ritmos e tipos de trilho.

Num dia pode servir para um treino descontraído; no seguinte, para uma prova curta onde seja necessário correr depressa. Não senti necessidade de alterar a forma de correr em função da sapatilha, o que acaba por ser um dos seus pontos fortes.

Por outro lado, quem procura uma sensação muito macia ou pretende utilizá-la sobretudo em ultras poderá sentir falta de maior amortecimento, especialmente nas últimas horas de corrida.

Tração

A sola ASICSGRIP voltou a apresentar um comportamento consistente.

Durante o teste inspirou confiança em pedra, terra compacta e trilhos florestais, mantendo uma aderência previsível mesmo quando o piso estava húmido.

Conforto e ajuste

O conforto melhorou face às versões anteriores, sobretudo graças ao novo upper.

O pé fica bem seguro sem criar pontos de pressão e existe espaço suficiente na zona dos dedos para acomodar a expansão natural do pé durante corridas mais longas.

Não senti movimentos excessivos do pé em zonas inclinadas nem problemas de estabilidade durante descidas rápidas.

ASICS FujiLite 7

Durabilidade

Após mais de 150 quilómetros, o desgaste é reduzido.

A sola mantém boa parte do relevo original e a espuma não apresenta alterações percetíveis no comportamento. Também o upper continua em bom estado, sem sinais relevantes de desgaste.

Naturalmente, será necessário acumular mais quilómetros para tirar conclusões definitivas, mas os primeiros indicadores são positivos.

Pontos fortes

  • Peso reduzido.
  • Boa estabilidade.
  • Ajuste confortável.
  • Tração consistente numa grande variedade de terrenos.
  • Funciona bem tanto em treino como em competição.

Aspetos menos conseguidos

  • O amortecimento pode ser insuficiente para quem privilegia provas muito longas.
  • Não oferece a sensação de retorno de energia presente em alguns modelos mais recentes.

Conclusão

A ASICS Fuji Lite 7 não pretende revolucionar o segmento do trail running, mas também não parece ser esse o objetivo.

É uma sapatilha equilibrada, leve e previsível, que se adapta bem a diferentes contextos de utilização. Durante o teste mostrou-se competente em praticamente tudo, embora sem se destacar de forma evidente num aspeto específico.

Na minha opinião, o seu maior argumento é a versatilidade. É um daqueles modelos que tanto pode acompanhar os treinos semanais como alinhar numa prova de trail curto ou médio, sem obrigar a grandes compromissos.

Não será a escolha ideal para quem procura o máximo amortecimento ou proteção para ultras, mas para corredores que valorizam leveza, estabilidade e uma condução mais natural, é uma opção que merece ser considerada.

  • Conforto
  • Amortecimento
  • Tração
  • Estabilidade
  • Versatilidade
  • Relação qualidade/preço
4.4

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Vitor Dias
Vitor Dias
Autor e administrador deste site. Corredor desde 2007, completou 77 maratonas em 18 países. Cronista em Jornal Público e autor da rubrica Correr Por Prazer em Porto Canal. Site Oficial: www.vitordias.pt

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