Ontem não foi apenas mais um aniversário. Foi uma celebração da vida, da amizade e da corrida. O meu amigo Pedro Amorim fez 70 anos e decidiu comemorá-los como melhor sabe: a correr. Não 7, não 17, mas 70 quilómetros.
Setenta anos, setenta quilómetros. Um número redondo para uma pessoa gigante.
Ao longo do percurso, muitos amigos e familiares juntaram-se à festa (muitos deles nunca tinham corrido tantos quilómetros), correndo com ele alguns desses quilómetros simbólicos. Eu fui um dos privilegiados. Partilhar aqueles momentos foi muito mais do que somar distância às pernas, foi somar memórias ao coração.
A celebração contou ainda com a presença de duas figuras maiores do atletismo nacional: a eterna campeã olímpica Rosa Mota e o incansável ultramaratonista Carlos Sá. A sua presença diz muito sobre o respeito e a admiração que o Pedro conquistou ao longo dos anos.
Mas quem conhece o Pedro sabe que os 70 quilómetros são apenas um detalhe.
O Pedro é uma pessoa fantástica, que irradia simpatia de forma natural e genuína. Tem aquele dom raro de fazer com que todos se sintam bem-vindos. Foi assim que colocou centenas de pessoas a correr, não com discursos motivacionais vazios, mas com entusiasmo contagiante, amizade verdadeira e exemplo constante.
Com uma cultura acima da média, atrai novos e velhos. Fala de tudo, literatura, história, política, ciência, desporto, e, regra geral, sabe muito mais do que todos nós. Conversar com ele é sempre uma aprendizagem. Correr com ele é sempre uma celebração.
E se achávamos que 70 quilómetros seriam suficientes para o deixar a descansar…
Hoje voltei a vê-lo a correr.
Como se ontem tivesse sido apenas mais um treino.
Talvez seja isso que melhor o define: consistência, paixão e alegria. A corrida, para o Pedro, não é um feito isolado. É um modo de estar na vida.
Parabéns, Pedro. Que continues a inspirar-nos por muitos e bons quilómetros. Nós cá estaremos, a tentar acompanhar-te.


