Há desafios que nos levam a descobrir os nossos limites. Outros ajudam-nos a perceber porque vale a pena ultrapassá-los. Para Josh, um pai britânico a viver em Lisboa, correr 120 km em Itália foi muito mais do que uma aventura desportiva. Foi também uma forma de guardar uma experiência para a filha, Evelina, e de lhe deixar uma história a que poderá regressar no futuro.
É esta a essência de Wild Hours, um documentário realizado por Francisco Vizeu Pinheiro e com cinematografia de António Freitas, ambos membros da Lisbon Running Community.
Uma corrida que vai além da meta
O filme acompanha Josh durante a preparação e a participação na Chianti Ultra Trail by UTMB, em Itália, numa aventura de 120 km que exige muito mais do que preparação física. Numa distância desta dimensão, há inevitavelmente momentos de dúvida, desgaste e superação, em que a vontade de continuar é tão importante como a capacidade de correr.
Mas Wild Hours não se limita a acompanhar um atleta ao longo de uma prova de ultratrail. A história ganha uma dimensão mais pessoal quando conhecemos a motivação que está por detrás desta experiência.
Quando as filmagens começaram, Evelina, a filha de Josh, tinha quatro anos. Hoje, com cinco, é uma das razões pelas quais esta história merece ser contada.
Uma memória para o futuro
Josh quis guardar esta experiência para que, um dia, quando a filha for mais velha e tiver de enfrentar os seus próprios desafios, possa conhecer melhor aquilo que o pai viveu.
Talvez Evelina descubra neste filme uma fonte de inspiração. Talvez encontre nele um exemplo de perseverança ou simplesmente uma forma diferente de compreender o pai. A intenção é deixar-lhe uma memória que possa ganhar novos significados com o passar dos anos.
É uma perspetiva que ultrapassa largamente o universo da corrida. Afinal, todos enfrentamos momentos em que continuar parece difícil, independentemente de estarmos numa montanha, numa estrada ou perante uma decisão importante da vida.
E é precisamente aí que uma história como esta pode encontrar eco em quem a vê: na ideia de que os desafios que aceitamos hoje podem ajudar-nos a enfrentar os de amanhã.
O lado humano da corrida
Para quem corre, sobretudo em distâncias longas, a motivação raramente se resume ao resultado final. Há objetivos pessoais, histórias de vida, pessoas que nos inspiram e razões que nem sempre são visíveis para quem acompanha a prova do lado de fora.
Wild Hours procura explorar esse lado menos evidente da corrida. O que nos leva a aceitar um desafio desta dimensão? O que nos faz continuar quando o corpo e a mente começam a pedir para parar? E que significado pode ter uma experiência destas para além da linha de meta?
São perguntas que fazem parte do universo do trail running e da ultradistância, mas que também dizem respeito a todos aqueles que procuram superar-se, dentro ou fora do desporto.
Um documentário independente com percurso internacional
Wild Hours é o primeiro documentário independente de Francisco Vizeu Pinheiro e António Freitas, dois membros da Lisbon Running Community que decidiram levar para o cinema uma história nascida no mundo da corrida.
O filme foi selecionado para o Lisboa Indie Film Festival (LISBIFF) e mais recentemente para os Vesuvio International Movie Awards, em Itália.
Mais do que registar uma prova de 120 km, o projeto procura mostrar aquilo que muitas vezes fica por contar quando falamos de corrida: as motivações pessoais, as emoções e as pessoas que dão sentido aos desafios que escolhemos enfrentar.
Porque, no final, nem todas as metas se encontram numa linha de chegada. Algumas estão nas histórias que deixamos a quem mais importa.
Sobre o filme: Wild Hours é um documentário realizado por Francisco Vizeu Pinheiro, com cinematografia de António Freitas, ambos membros da Lisbon Running Community.

