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Neuropatia de Baxter: Quando a dor no calcanhar não é fasceíte plantar

1. Definição e Enquadramento Clínico

A Neuropatia de Baxter resulta da compressão do nervo calcâneo inferior (também designado tecnicamente como o primeiro ramo do nervo plantar lateral).
Embora menos discutida do que a fasceíte plantar, representa uma causa significativa de dor crónica na região do retropé. Estima-se que cerca de 20% dos doentes referenciados com diagnóstico de fasceíte plantar sofram, na verdade, desta compressão nervosa.

A distinção é fundamental, uma vez que, tratando-se de etiologias (causas) diferentes, os protocolos terapêuticos devem ser ajustados para garantir a eficácia da recuperação.

2. Fatores de Risco e Etiologia

A compressão do nervo de Baxter pode ser precipitada por diversos fatores mecânicos e anatómicos, nomeadamente:

  • Alterações Biomecânicas: A pronação excessiva do pé (pé plano) altera o alinhamento das estruturas internas, aumentando a pressão sobre o trajeto do nervo.
  • Hipertrofia Muscular: O aumento de tensão ou volume dos músculos intrínsecos do pé.
  • Presença de Osteófitos: A existência de um esporão do calcâneo pode reduzir o espaço disponível para a passagem do nervo.
  • Sobrecarga Funcional: Comum em atletas e indivíduos com excesso de peso, sendo frequentemente agravada pelo uso de calçado inadequado (com suporte insuficiente ou desadequado à atividade física), o que incrementa o stress mecânico repetitivo sobre a região do retropé.

3. Sintomatologia Diferencial

Identificar a Neuropatia de Baxter exige uma observação atenta aos sinais clínicos que a distinguem da inflamação da fáscia:

  • Padrão da Dor: Ao contrário da fasceíte, onde a dor é mais aguda nos primeiros passos da manhã, na neuropatia a intensidade tende a ser progressiva, agravando-se ao longo do dia com a carga prolongada.
  • Sinais Neurológicos: Presença de parestesias (formigueiros), ardor ou sensação de dormência com irradiação para a planta do pé.
  • Localização: Sensibilidade focal na face interna do calcanhar, sobre o trajeto do nervo.

4. Meios de Diagnóstico

O diagnóstico é predominantemente clínico, assente na história do doente e em testes neurológicos específicos realizados em consulta de Podologia. Para confirmação da compressão e exclusão de outras patologias, o podologista poderá recorrer a:

  • Avaliação Biomecânica.
  • Ecografia de alta resolução.
  • Ressonância Magnética (RMN).
  • Eletromiografia (em casos selecionados).

5. Abordagem Terapêutica

O sucesso do tratamento reside na descompressão da estrutura nervosa através de métodos conservadores:

  • Ortóteses Plantares Personalizadas (palmilhas): Esta intervenção personalizada é fundamental para corrigir o alinhamento biomecânico e reduzir a compressão direta sobre o nervo.
  • Reabilitação: Programas de fisioterapia focados na mobilização neural e no alongamento das cadeias musculares posteriores.
  • Gestão do Calçado: Orientação para o uso de calçado com características de estabilidade e amortecimento adequadas.
  • Tratamentos Invasivos: Em casos refratários ao tratamento conservador, podem ser equacionadas infiltrações ou, em última instância, a descompressão cirúrgica.

6. Conclusão

A dor no calcanhar não deve ser negligenciada nem autodiagnosticada. Uma avaliação especializada precoce é determinante para evitar a cronicidade da dor e garantir um plano de tratamento eficaz e personalizado.

Nota Informativa: Este conteúdo tem fins exclusivamente educativos. Perante sintomas de dor no pé, deve agendar uma consulta com um Podologista.

Autor: Prof. Doutor Romeu Araújo, Podologista

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Romeu Araujo
Romeu Araujo
Podologista (ACSS 104) com diferenciação em alterações funcionais/biomecânicas em todas as faixas etárias, bem como em alterações dérmicas e ungueais. Site oficial: http://www.podologista.com

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